Um músico persistente

Nando Souza

Fernando Benedito de Souza Raimundo tem a música como companheira desde a infância. Mesmo sem ter aulas, aprendeu a cantar e a tocar violão e teclado. Aos 30 anos, ele sonha em poder viver desse talento, mas sabe que o caminho é cheio de obstáculos.

Na entrevista abaixo, Fernando conta sua trajetória musical e seus planos para o futuro. Quem quiser conferir a voz doce e o talento desse cantor, compositor e músico joseense, que adotou Queluz como sua casa, pode acessar o Youtube.

DPT: Quando ou em que época você começou a gostar de música? E a tocar violão?

Fernando: Desde muito pequeno, pois meu pai também gostava de música e sempre em reuniões familiares o violão estava presente. Sempre quando viajávamos de São José (dos Campos) para Queluz, durante o percurso, íamos ouvindo músicas sertanejas e cantando juntos. Depois de um tempo, em nossas reuniões familiares, passamos a cantar com ele ao violão: minha irmã Cíntia, meu pai e eu.  Quando tinha 6 anos, um de meus tios, Laercio, foi morar um tempo em casa e começou a dar algumas aulas de violão para minha irmã. Eu, enciumado, sempre “atrapalhava” as aulas deles. No fundo também queria aprender a tocar, mas só atrapalhava. Porém, comecei a prestar atenção, peguei o violão escondido e fui entender o livrinho (vigu), e depois que consegui tocar uma música, fui mostrar a eles! Desde então, o violão tem feito parte de minha vida!

DPT: Fez aulas de canto ou de violão?

Fernando: Nunca fiz aula de violão ou canto, pois como morava em São José dos Campos, naquela época era muito difícil, e meu pai também não tinha grandes condições de pagar, levar, trazer…

DPT: Como aprendeu a cantar e a tocar violão tão bem?

Fernando: Depois desses primeiros passos, foi uma questão de persistência. Com 9 anos, meu pai me deu um violão. Antes usava o dele! Então comecei a tocar em eventos na escola, e fui me aprimorando.

DPT: Sabe tocar mais algum outro instrumento musical? Qual? Como aprendeu?

Fernando: Sim, toco teclado. Também aprendi sozinho.

DPT: Já fez algum show ou apresentação para um público grande? Quantas pessoas mais ou menos?

Fernando: Já participei de vários festivais de MPB. Fui premiado duas vezes no Mapa Cultural Paulista. Fiz shows pela região do Vale do Paraíba. Recordo-me de uma apresentação na festa de São João, em Queluz, que teve um público em torno de 2 mil pessoas. Com 13 anos, cantei na chegada do Papai Noel, em Itatiaia/RJ, com o estádio cheio! Hoje, infelizmente não tenho muito tempo para ensaiar, viajar e tocar por aí, mas quando toco, normalmente faço violão e voz, ou teclado e voz. Toco em cerimônias de casamentos e já fiz muitas festas utilizando recursos MID, teclado e violão. Também trabalho com um grupo ligado à Renovação Carismática Católica, onde canto e toco violão.

DPT: Como músico, quais os trabalhos mais frequentes? Casamentos, bailes, formaturas, aniversários?

Fernando: Casamentos.

DPT: Você é engenheiro e trabalha em uma grande indústria. Como consegue conciliar as duas funções (músico e engenheiro)? Uma atividade ajuda a outra de alguma forma? Como?

Fernando: Ultimamente tem sido difícil conciliar, e claro quem tem sofrido mais é a música. Mas mesmo assim, esta é minha válvula de escape. Quando começo a ficar fora de mim, pego meu violão, me retiro e recupero minhas forças!

DPT: Ano passado , você tentou participar de um concurso do Domingão do Faustão. Como foi a experiência?

Fernando: Fiz o vídeo, mas infelizmente não fui classificado. Anteriormente já me inscrevi e fui aprovado duas vezes para o programa Raul Gil, mas não fui chamado. Também já tive tentativas no programa Fama, da Rede Globo, e Ídolos.

DPT: Você já se apresentou na televisão? Se sim, quando, em que canal e programa? Se não, você acha que isso seria fundamental para sua carreira de músico/cantor?

Fernando: Ainda não tive esta oportunidade. É um sonho, e acredito sim ser importante para a carreira de um músico.

DPT: Já gravou algum CD? Se sim, como foi a experiência?

Fernando: Oficialmente não. Apenas em casa, gravações caseiras. Tenho vontade de gravar um CD de verdade.

DPT: Que cantor ou cantora você admira?

Fernando: Milton Nascimento, Oswaldo Montenegro, Djavan, Caetano.

DPT: Quais os planos para o futuro?

Fernando: Posso dividir isso em três partes distintas:

  • Família: ser pai e ter disponibilidade pra me dedicar à minha família.
  • Trabalho: Ser doutorado em gerenciamento de projetos ou alguma área relacionada, me tornar um grande Gestor na empresa que trabalho, ou até um grande consultor de grandes projetos.
  • Verdadeiro Sonho: Viver da música. Cantar e encantar multidões. Ver minhas canções sendo cantadas e executadas na rádio e na TV. Ser ouvido!

Caiu na rede? Pode ser amor…

 

Évelin e Rogério

*Fotos: Livaldo Costa

Ela morava em Campo Grande (MS). Ele, em Lorena (SP). Ela era estudante de Comunicação Social, com especialização em Jornalismo, na Universidade Católica Dom Bosco. Ele estudava Engenharia Química na Escola de Engenharia de Lorena/USP. Em comum, o gosto pelas conversas via internet.

Évelin e Rogério se conheceram há dez anos, ao trocarem algumas ideias pelo Internet Relay Chat (IRC). Hoje, ela é repórter e produtora do programa “Minuto Deus Proverá”, da TV Canção Nova, e autora do blog Jovem Líder. Ele faz doutorado em Biotecnologia na USP. E, em março, eles completaram 7 meses de vida matrimonial.

Há muito tempo ouvimos falar de pessoas que se conheceram pela internet e começaram um relacionamento. Poucos são os que conseguem manter a química virtual na vida real. E, com o surgimento de casos de abusos cometidos por criminosos que usam a internet para ganharem a confiança de suas vítimas, as salas de bate-papo perderam um pouco a credibilidade junto aos internautas.

Na entrevista abaixo, Évelin e Rogério contam como se conheceram e o que foi preciso fazer para vencerem os desafios e conquistarem um relacionamento de sucesso.

DPT: Como foi o primeiro contato?

Évelin: Rogério e eu nos conhecemos no antigo (nossa e muito antigo) Internet Relay Chat (IRC), em março de 2001. Eu ia completar 18 anos e o Rogério tinha acabado de fazer 22 anos. Depois passamos por todos os programas de bate-papo online, como os chats de sites, o ICQ, até chegarmos ao MSN. Eu até gostava do “I-cê-quê”, especialmente do barulinho engraçado e inconfundível da “buzinha” para entrar no programa e o tal “óou” que avisava quando alguém nos chamava para conversar.

DPT: Vocês estavam lá nesse site para quê? Para encontrar a cara-metade?

Évelin: No IRC, eu estava com mais um casal de amigos quando conheci o Rogério. Mas nós três conversávamos com umas 10 ou 15 pessoas ao mesmo tempo. Estava no auge do bate-papo online e todo mundo queria conhecer gente nova. As conversas eram sempre muito simples. Não imaginava encontrar a minha cara-metade num site como esses, era mais para passar o tempo. Mas o papo do Rogério me chamou mais atenção e acabei fazendo um e-mail só para poder mandar para ele. Detalhe, demorei quase um mês para abrir o tal e-mail. Tinha esquecido!

Rogério: De forma alguma estava no IRC para procurar uma namorada, principalmente uma cara-metade. Estava apenas para conhecer pessoas. Era muito legal na época pois era o início de tudo, a internet não era tão difundida no Brasil, até porque poucas pessoas tinham acesso. Era uma novidade ficar conversando com alguém de longe pela rede e a conversa era muito divertida pois conversávamos de tudo: gostos, desejos, vontade de morar em outro lugar, conhecer novos lugares. Eu conversava simultaneamente com ela e muitas outras mulheres, mas ela me chamou muito a atenção pela forma diferente de escrever, sua simpatia nas palavras e o modo de encarar a vida. Fui me apaixonando por ela aos poucos. Nos anos 90, o ICQ virou moda no Brasil e ajudou ainda mais meu contato com a Évelin, pois era mais rápido com os chat em tempo real. Você conseguia ver a pessoa digitando e não tinha como ficar pensando se enviaria ou não uma mensagem. Tenho saudades daquela época… (risos)

DPT: Onde vocês moravam quando se conheceram?

Évelin: Eu morava em Campo Grande (MS) e o Rogério em Lorena (SP). Exatamente 1.323 km (Fonte: Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias – ABCR) e viagem de ônibus dura, em média, 17 horas.

DPT: Vocês já se consideravam namorados pela internet?

Évelin: Não no primeiro momento. Mesmo porque tanto eu, quanto ele, tínhamos um certo receio. Na minha região estava uma onda de sequestros de pessoas que tinham se conhecido usando essa ferramenta e a mídia explorava o assunto, assustando as famílias. Meus pais morriam de medo da tal internet. Então, marcamos um dia para nos encontrar na net. Mandei uma foto que achei de uma modelo: cabelos longos, loira, olhos azuis e magra. Lindíssima! Claro né? Modelo! Alguém totalmente diferente de mim. Mas o Rogério confiou. Mandou uma foto dele, em sua casa e outra tocando violão em seu quarto. Eu já comecei a ver que era um rapaz legal.

DPT: Contaram para parentes ou amigos? O que eles disseram?

Évelin: O Rogério contou para o pai dele que ele conversava com uma menina na internet, mas não deu muito crédito. Eu contei apenas para uma amiga que estava conversando com alguém. Muitos me disseram que eu era meio doida acreditando num “carinha da net” e que era bobagem.

DPT: Depois de quanto tempo de conversa pela internet que vocês foram se encontrar na vida real? Quem teve a iniciativa?

Évelin: Após 3 meses que nos conhecemos, conversamos pela primeira vez ao telefone. Fomos nos encontrar após 6 meses. Até então não tinha desmentido a foto da modelo, mas já tinha mandado uma minha. A iniciativa de nos encontrar foi do Rogério.

DPT: Onde vocês se encontraram? Como foi? O que passou pela cabeça antes do encontro?

Évelin: Na época, o Rogério não estava trabalhando. Pediu dinheiro emprestado ao pai para viajar. Foi com o valor contado da passagem de ida e de volta e alguns trocados para as emergências. Passei a noite praticamente em claro pensando em tudo que podia acontecer na viagem e também no encontro. Coisas de mulher. Se iria gostar de mim, da minha aparência, do meu jeito… No primeiro encontro me vesti de uma forma um pouco diferente: com uma calça de moleton meio rasgada, blusão, chinelo de dedos e prendi o cabelo. Estava horrível. Parecia que tinha acabo de acordar. Mas minha filosofia era: “se ele me achar bunitinha assim, imagina quando estiver toda arrumada”. E até que deu certo! (risos) As primeiras palavras não precisaram ser ditas, apenas nos abraçamos por alguns minutinhos e depois falei: “nem acredito que você está aqui, que é real”.

Rogério: Nossa passou muita coisa pela minha cabeça… Ficava pensando no quanto eu estava maluco em viajar 1.300 km pra conhecer uma menina-mulher de 18 anos. Digo menina-mulher porque ela aparentava uma menina com a cabeça de uma mulher formada. Eu sou uma pessoa muito reservada e foi como uma libertação pessoal poder sair de tão longe, do interior de São Paulo, e ir conhecer uma mulher em outro estado. Interessante também foi que minha mãe morou durante um ano na cidade de Aquidauana (MS), quando ela tinha 17 anos. Ela me dizia que no Mato Grosso do Sul era só selva, que não era muito civilizado por lá… (risos) Fiquei apavorado quando observava pelo ônibus que tinha apenas campos em ambos os lados da estrada, que se perdiam no horizonte. Foi um alívio ver  a capital chegando. Por fim, acabei indo conhecer uma mulher de uma cidade muito próxima de onde minha mãe tinha morado e ela depois de alguns anos tornaria minha esposa… Acho isso muito doido! (risos)

DPT: Vocês moravam longe um do outro, se viam raras vezes, e mesmo assim continuaram o relacionamento. Algum de vocês pensou em desistir?

Évelin: Nos víamos apenas nas férias de julho e dezembro, quando dava. Já passamos quase oito meses sem nos ver por conta de trabalho e estudo. Namorar à distância não é nada fácil, não recomendo para ninguém. Só nós sabemos o que passamos nesse tempo longe. Não foi apenas a saudade e a distância, tinha também muitos amigos e familiares falando que poderia ser um relacionamento sem futuro real. Isso desanimava às vezes. Com isso, claro, pensamos em desistir. Mas graças a Deus isso não aconteceu!

DPT: Depois desse primeiro encontro na vida real, quanto tempo vocês namoraram?

Évelin: Namoramos por cerca de 7 anos e, exatamente no dia em que comemorávamos nosso sétimo ano, resolvemos ficar noivos. Foram mais 2 anos. E em setembro deste ano, completaremos 1 ano de casados. Ou seja, são 10 anos de relacionamento, desde o primeiro “oi”.

DPT: De quem partiu a ideia da Évelin ir morar em Lorena?

Évelin: Decidimos juntos. Eu queria fazer pós-graduação em São Paulo e o Rogério acabou mandando meu currículo para empresas do Vale do Paraíba.

DPT:  Quais os planos para o futuro?

Évelin: São muitos… Mas esperamos o tempo de Deus para cada uma das nossas metas.

DPT: Teve alguém que achava que esse relacionamento não iria dar certo? O que essa pessoa pensa hoje?

Évelin: Teve uma amiga minha da faculdade que um dia, quando comecei a namorar com o Rogério, disse-me: “Ah, desiste. Esse namoro nunca vai dar certo”. Pouco antes do nosso casamento, encontrei-a e ela me disse: “Eu me enganei. Eu não imaginaria que poderia dar certo. Admiro a determinação de vocês”. Achei muito legal!

Rogério: De minha parte poucas pessoas sabiam que eu estava tendo um relacionamento com uma pessoa distante, pela internet. Era tabu isso e todos gostavam de tirar um sarro de quem namorava assim. Meus pais e muitos familiares encaravam com respeito, mas sentia no fundo um pouco de ironia quando perguntavam… (risos) Mas encarei numa boa tudo isso, até quando ela veio para minha cidade conhecer minha família toda. Meus amigos acharam e acham o que aconteceu conosco super diferente e muito legal,  pois, por mais comum que seja hoje em dia um relacionamento pela internet, é pouco comum dar certo e virar casamento.

DPT: Algum conselho para quem está procurando um amor nas redes sociais?

Évelin: Cuidado! O que era há 10 anos, hoje é completamente diferente. A quantidade de pessoas é muito maior e também o acesso a informações sigilosas e pessoais pode ser feito em qualquer lugar e por qualquer um. Não é aconselhável, por exemplo, num primeiro contato ir sozinha. É sempre bom levar uma pessoa junto e ir a um local público. Enfim, namorar à distância não é fácil. É muito dolorido. Querer certa coragem e determinação. Acreditar que pode haver um futuro no relacionamento e, principalmente, no amor que cada um sente.

Rogério: Acredito ser possível sim encontrar alguém pelas redes sociais mas acho mais perigoso nos dias atuais. O acesso ficou mais fácil e hoje temos que encarar isso com mais cuidado. Conhecer bem antes de ir a um encontro, trocar telefonemas por algum tempo é essencial. Encontrar com a pessoa pela primeira vez em lugar público também torna seguro o encontro. Agora, eu aconselho a procurar alguém mais pertinho… (risos) Porque você sofre demais com uma pessoa longe. Ver 3 vezes por ano e por alguns dias é muito cruel para o coração e não desejo esse sofrimento para nenhum casal. Então, se for namorar com alguém de outro estado, pensa bem viu! Vai gastar com muitas viagens e a conta tefônica fica enorme! (risos)

Engenharia + Pintura = Fotografia

Julio Sene é Engenheiro Elétrico, formado pela Universidade de São Paulo (USP), e trabalha há mais de 10 anos em uma empresa de consultoria e desenvolvimento em tecnologia da informação.

Ainda criança, começou a se interessar por artes plásticas e, hoje, tem como atividade secundária a fotografia. Seus trabalhos e algumas dicas podem ser vistos no site www.juliosene.com, ou no Twitter @juliosene, ou ainda no Orkut.

Abaixo, Julio nos conta como começou seu interesse pela fotografia, como concilia seus dois trabalhos e os planos para o futuro.

DPT: Você cursou colégio técnico. Foi aí que surgiu a vontade de ser um Engenheiro?

Julio: Fiz colégio técnico em eletrônica. Eu sempre gostei da área de tecnologia, principalmente ligada à eletrônica. Não sei quando começou minha vontade de ser um engenheiro, até porque não sei se existiu um marco inicial nessa história. Sempre fui fascinado por essas coisas “mágicas” como rádio, autofalante e televisão. Estamos muito acostumados a estas coisas em nosso dia-a-dia e não notamos mais o quão fascinante elas são. Agora, eu soube que seria realmente um engenheiro quando passei no vestibular!

DPT: Desde a infância, você sempre gostou de artes plásticas, no geral, certo?

Julio: Verdade. Aprendi a desenhar, pintar e moldar antes de aprender a escrever. Ainda hoje é comum alguém chegar em casa, ver um quadro que eu pintei e comentar que é bonito. O susto vem na hora que eu agradeço e falo que fui eu quem pintou.

DPT: Quando e como surgiu esse interesse pela fotografia?

Julio: Acho que a fotografia foi como uma fuga. Durante o período em que cursei engenharia, meu lado artístico ficou meio de lado, adormecido. Quando concluí o curso, senti muita vontade de retomar o lado artístico, até mesmo para reequilibrar minha percepção das coisas. Contudo, morando em um pequeno apartamento em São Paulo, fica difícil ter inspiração para pintar, até porque é uma atividade que exige espaço e faz muita sujeira. Então veio a opção de fotografar. Eu estava sondando esta área quando minha prima me deu uma câmera SLR, uma Nikon FM 10. Daí não teve mais volta.

DPT: Você lembra qual foi a primeira foto “pensada”? Aquela que você verificou a luz, o fundo, os detalhes para obter uma boa fotografia?

Julio: Puxa, estou tentando lembrar do contrário: qual foi minha primeira foto “não pensada”. Com a bagagem de engenharia somada à pintura, pensar em uma foto é praticamente automático. Mesmo antes de levar fotografia mais a sério, pensava em como ficaria o enquadramento e a iluminação. Claro que, sem uma câmera mais profissional, fica difícil ter controle total da câmera, mas sempre procurei tirar o máximo do equipamento que tinha disponível. É lógico que, com o tempo, minha técnica evoluiu. Sempre busco analisar meu próprio trabalho e melhorar nos pontos que me incomodam.

DPT: Prefere fotografar natureza, objetos, pessoas, animais ou paisagens? Qual o seu tema favorito?

Julio: Hoje eu fotografo books, geralmente femininos. Mas macro fotografia também me atrai muito. Gosto de fotografar flores e insetos, mas isto é mais por diversão. É bom lembrar que cada área da fotografia exige um preparo específico. Isto acontece na maioria das profissões, mas muita gente não percebe. Comparando com a engenharia, um engenheiro civil tem uma formação diferente de um engenheiro elétrico. Não é porque alguém é engenheiro que poderá projetar um prédio, pois isso é atribuição de um engenheiro civil. Na fotografia é a mesma coisa. Não é porque alguém é fotógrafo que pode fotografar de tudo. Quem fotografa natureza tem um preparo e um equipamento específico para este tipo de foto, que é diferente do preparo e do equipamento usado em um estúdio. Mesmo quando o equipamento é parecido (ou o mesmo) as funções usadas são distintas. É claro que um engenheiro elétrico entende melhor a planta de um prédio que um leigo, assim como um fotógrafo de natureza entende melhor de fotografia em estúdio que um leigo. Dessa forma, eu creio que é preciso ter foco em uma área e procurar fazer aquilo bem, senão vai gastar uma fortuna em equipamento e não vai conseguir bons resultados.

DPT: Atualmente, você fotografa muitas moças em poses sensuais. Como você descobriu que esse ramo da fotografia?

Julio: Bom, antes de mais nada, melhor explicar essa história de “poses sensuais” (risos). Quando fiz minhas primeiras experiências em fotografar books, notei que as meninas sentem-se muito à vontade comigo. Isto, provavelmente, vem do fato de eu ter sido criado em meio à muitas mulheres (ele tem 3 irmãs). Tenho certa facilidade natural de interagir com as mulheres e isto faz com que elas sintam-se à vontade comigo para fazer todo tipo de ensaio, de fotos formais para books de agências de modelos, passando por fotos grávidas, até fotos sensuais, em roupas íntimas ou mesmo nuas. Eu gosto de separar muito bem sensualidade de nu. São coisas completamente independentes. Uma foto pode ser sensual com a pessoa completamente vestida. A sensualidade está atrelada à mensagem que o corpo passa quando é posicionado de maneiras específicas. Uma foto nu é simplesmente uma pessoa sem roupa. Desta forma, qualquer pessoa pode fotografar um nu, contudo é preciso um bom estudo para fazer uma foto sensual, esteja a pessoa nua ou não. Para que as pessoas que fotografo transmitam as emoções corretas no momento do click, eu venho estudando comunicação não verbal. Com isso, consigo extrair mais emoção nas minhas fotos, transmitindo não somente sensualidade, mas também força, timidez, alegria, tristeza, etc. Isso gera mais valor ao trabalho final e torna cada foto única.

DPT: Como foi o primeiro serviço? Você que se ofereceu para fotografar ou a cliente que foi até você?

Julio: Foi meio natural. Eu fotografei umas conhecidas, daí uma me apresentou para uma amiga que era modelo. Fiz as fotos dela para praticar e ela gostou muito, indicando para outras amigas do ramo. A coisa foi crescendo e me tornei conhecido. A demanda cresceu e decidi cobrar pelo trabalho. Cobro um preço justo, embora seja abaixo do que os profissionais que vivem de fotografia costumam cobrar, pois tenho limitações de horário e não disponho de toda infraestrutura que eles têm. Felizmente, os resultados não deixam nada a desejar, muito pelo contrário.

DPT: Como podemos mensurar a frequência desse trabalho fotográfico? Quantas clientes você atende, em média, em um mês? Existe um período do ano que seja mais procurado?

Julio: Como não vivo disso, minha frequência de clientes não segue um padrão, pois tenho que conciliar com meu outro trabalho. Ao longo do ano, há épocas mais fortes e outras mais fracas. No meu caso, a maioria das meninas que fotografo trabalham com feiras e eventos. As épocas que o movimento cai são no final e no início do ano, pois é quando não acontecem feiras e as meninas acabam tirando para descansar. Mas isso varia de acordo com o tipo de foto que você faz. Fotógrafos de eventos sociais têm picos de atendimento no mês de maio, devido aos casamentos. Fotógrafos de publicidade têm mais trabalho nas datas comemorativas como natal, dia dos pais, dia das mães e dia dos namorados.

DPT: Você tem algum fotógrafo que seja sua referência para desenvolver esse trabalho?

Julio: Isso é bem complicado. Há vários fotógrafos que admiro, tanto no Brasil quanto fora daqui. Costumo usar realmente como referência de qualidade técnica, pois procuro criar meu próprio estilo. Vou citar dois no Brasil e dois fora:

DPT: Agora, você tem um pequeno estúdio. Até onde você pretende chegar? Você quer, um dia, que a fotografia seja seu ganha-pão?

Julio: Para a fotografia ser meu ganha-pão, preciso ter um fluxo contínuo de clientes. Isto até é possível. Outro fator importante é que a fotografia me dê perspectivas melhores que a carreira de engenharia. Isto também pode acontecer, mas é mais difícil. Temos que encarar a realidade brasileira: aqui os equipamentos fotográficos são muito caros devido aos impostos absurdos que pagamos, temos dificuldades de praticar bons preços já que o poder aquisitivo médio da população é baixo, além disso, temos a dificuldade de se ter uma empresa no Brasil e ganhar o governo de “sócio”. Com tudo isso, quero crescer com minha atividade como fotógrafo, mas um passo de cada vez. O próximo é ganhar uma regularidade mínima de clientes e conseguir um espaço dedicado para isso.